Medo
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
“Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus aguentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.”
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Eu te Amo
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Eu estou apaixonada por você. E não é só pelo teu riso fácil ou pela tua facilidade em me fazer enxergar sempre o lado bom das coisas. É, também, pelo cuidado que você tem comigo. É por me lembrar a hora de tomar o remédio ou por se preocupar com o horário que eu chego em casa. É pela tua paciência em me ouvir reclamar cem mil vezes as mesmas coisas ou por me ouvir chorar tua falta e deixar você desesperado sem saber o que dizer. E, depois, te ouvir me pedindo baixinho pra fechar os olhos e contar até três porque quando eu abrir vou sentir o teu abraço. E, eu sempre sinto. É, também, por você nunca me deixar ir dormir brava contigo, ou irritada, ou chateada, ou qualquer coisa assim. É porque, naquele dia que a gente não parava de brigar e você gritou comigo, você me fez chorar e segundos depois comecei a rir. Você me perguntou se era choro ou riso, e eu respondi: é TPM. E você começou a rir tão bonito, mas tão bonito, que o resto do mundo ficou surdo pra eu escutar o teu riso. Depois disso, eu tive ainda mais certeza de que era você. É você. E não é só porque você deixa tudo mais leve ou mais colorido. Nem porque você me faz querer ser melhor ou por acreditar em mim mais que qualquer outra pessoa. É, também, por ouvir tua respiração do outro lado da linha enquanto você dorme ou por ouvir você dizer baixinho um “eu te amo” seguido de um suspiro que diz “sorte a minha ter você”. Eu estou apaixonada por você. Estou tão apaixonada por tudo em você que, quando penso no quanto, até dói. Mas, sei que o teu amor me cura.
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Meus Sonhos
"Eu quero a nossa casa logo sabe? Quero ver a sua bagunça e brigar com você, quero poder te ter todo dia do meu lado, quero poder ficar nos teus braços a noite toda e me sentir a pessoa mais protegida do mundo. Quero poder acordar toda manhã e preparar nosso café, e no almoço ir naquele velho restaurante de sempre e na janta comida congelada. Eu imagino nossos filhos correndo pela casa e você com sua preguiça eterna mandando eu ir cuidar deles, imagino que você não vai querer fazer nada o dia todo, mas não importa amor, você estando ali é o suficiente para mim. E amor, quando eu estiver chato e querendo te morder, tenha paciência, é só você me dar mimo que passa, só você sabe. E mesmo que esteja um pouquinho cansada, então deixa que te mimo, você toda pequena deita sua cabeça no meu peito, jogamos conversa fora, eu te abraço e você me esquenta nas noites mais frias. Me conta qualquer coisa, fala sobre qualquer coisa, eu prometo te olhar nos olhos, rir sempre das suas piadas, só pra arrancar esse sorriso que é meu e que é tão lindo. Se algum dia nossos futuros filhos chorarem na madrugada eu prometo levantar, é que cê fica tão linda dormindo. Amo a ideia de um futuro ao seu lado, amo nosso presente, eu amo você. Eu amo a forma como você cuida de mim, e se você cuida tão bem assim de um “estranho”, eu sei que vai cuidar muito bem dos nossos filhos. Eu escolhi você pra fazer pra fazer parte da minha vida. Só você tem paciência pra me suportar por tanto tempo, só você entende minhas crises, meu ciúme, só você consegue me fazer mais apaixonado cada dia. Você meu amor, me faz o cara mais feliz do mundo, me faz o cara mais bobo, o cara que faz, ou fazia, qualquer coisa pra te fazer feliz. Eu, meu amor, darei minha vida pra te fazer feliz, juntarei todas as minhas economias, pegarei um empréstimo no banco se for preciso, mas eu sei que vamos ter a casa dos seus sonhos, nem que eu tenha que trabalhar dia e noite, sete dias por semana – mas é claro que vai sobrar um tempinho pra gente – mas eu sei que um dia, logo, logo, vamos ter nossa casinha. Vamos brigar, dormir juntos, contar piadas, correr atrás das crianças."
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